�(...) � dif�cil permanecer imperador na presen�a do m�dico e mais dif�cil permanecer homem. O olho do pr�tico n�o via em mim sen�o um amontoado de humores, triste amalgama de linfa e sangue. Esta manh�, pela primeira vez, ocorreu-me a id�ia de que meu corpo, este fiel companheiro, este amigo mais seguro e mais meu conhecido do que a minha pr�pria alma, n�o � sen�o um monstro sorrateiro que acabar� por devorar seu pr�prio dono. Paz... Amo meu corpo. Ele me serviu muito e de muitas maneiras: n�o lhe regatearei agora os cuidados necess�rios. Mas j� n�o creio � como Herm�genes pretende ainda � nas maravilhosas virtudes das plantas, na dosagem exata dos sais minerais que ele foi buscar do oriente. Esse homem, embora perspicaz cumulou-me de vagas express�es de conforto, demasiado banais para iludir a quem quer que seja. Ele sabe o quanto odeio esse g�nero de impostura, mais n�o � impunemente que se exerce a medicina por mais de trinta anos! Perd�o a esse bom servidor a tentativa de ocultar-me minha pr�pria morte. Herm�genes � um s�bio e � tamb�m bastante judicioso. Sua probidade � superior � de qualquer outro m�dico da corte. Tenho a fortuna de ser o mais bem tratado dos doentes. Mas nada pode ultrapassar os limites estabelecidos.; minhas pernas intumescidas j� n�o me podem sustentar durante as longas cerim�nias romanas. Sufoco! Tenho sessenta anos!�
Fonte: In YOURCENAR, Marguerite. Mem�rias de Adriano. Nova Fronteira. Rio, 1980, p. 13.
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