domingo, 10 de agosto de 2003

C�LULAS-TRONCO


Curingas em a��o
Crescem os estudos e as aplica��es pr�ticas das c�lulas-tronco, capazes de se transformar em v�rios tipos de tecidos
Fontes de vida

Lia Bock

Quando a ci�ncia descobriu com mais precis�o o poder das c�lulas-
tronco � capazes de adquirir caracter�sticas de c�lulas de diversos tipos de tecidos �, h� poucos anos, muita gente comemorou o avan�o. Abria-se uma enorme janela de possibilidades de tratamento. Como pe�as novas em folha, elas poderiam substituir c�lulas danificadas e, assim, restituir a fun��o de �rg�os doentes. Hoje se sabe que elas vieram para mudar muita coisa na forma de cuidar do corpo. No mundo, h� pesquisas para tratar de males card�acos a acidentes vasculares cerebrais (AVC) usando essas c�lulas.
E o mais impressionante � a rapidez com que os estudos progridem.
No Brasil, as primeiras pesquisas em animais foram feitas em 2000.
De l� para c�, j� existem, inclusive, pacientes beneficiados. Outro dado ilustra bem a import�ncia que a �rea est� ganhando. A Comiss�o Nacional de �tica em Pesquisa, �rg�o do Conselho Nacional de Sa�de que avalia
e aprova pesquisas em humanos, recebeu at� agora 20 pedidos de autoriza��o para estudo com c�lulas-tronco. Desses, 12 est�o em andamento. �As c�lulas-tronco trouxeram uma nova forma de pensar.
Elas n�o s�o uma solu��o m�gica, mas representam uma �tima ferramenta terap�utica�, garante Jos� Eduardo Kriger, do Instituto
do Cora��o (InCor), em S�o Paulo.

A c�lula-tronco � uma esp�cie de curinga. Sua principal caracter�stica
� n�o ser especializada. Ou seja, � como se fosse uma pe�a virgem,
sem uso, que, colocada no �rg�o a ser restaurado, passa a funcionar como uma de suas c�lulas. Elas s�o encontradas em tr�s fontes: no embri�o, na medula �ssea e no cord�o umbilical. Por enquanto, por�m, imagina-se que somente as c�lulas embrion�rias possuam maior versatilidade. As outras teriam capacidade de adapta��o mais limitada. As retiradas da medula �ssea, por exemplo, n�o s�o capazes de se especializar em qualquer c�lula, ao contr�rio das embrion�rias. Mas
elas conseguem se transformar em c�lulas musculares, nervosas e
nas que comp�em os vasos sangu�neos.

Uma das mais promissoras aplica��es das c�lulas extra�das da medula �ssea � no tratamento das doen�as auto-imunes, caracterizadas pelo ataque do sistema de defesa do corpo contra o pr�prio organismo.
Elas t�m mostrado capacidade de renovar as atividades do sistema imunol�gico. �� como se ele fosse reprogramado�, explica J�lio Voltareli, do Hospital das Cl�nicas de Ribeir�o Preto (SP). O servi�o tem 17 pacientes transplantados com a nova t�cnica. Entre eles, est�o doentes tratados de l�pus e esclerose m�ltipla. O Hospital Albert Einstein, em S�o Paulo, tamb�m obteve sucesso em cirurgias desse tipo.

O processo � delicado. O paciente recebe drogas que estimulam a produ��o de c�lulas-tronco e sua migra��o para a corrente sangu�nea. Uma dose de sangue � retirada e filtrada para que elas sejam separadas das demais. Em seguida, o doente � submetido a uma estrat�gia para baixar as atividades do sistema imunol�gico a zero. As c�lulas-tronco s�o injetadas, se alojam na medula e assumem a fun��o do �rg�o, entre elas a de fabricar as c�lulas de defesa. O resultado � que a medula passa a produzir �soldados� novos e, desta vez, competentes. �Em 70% dos pacientes n�o h� retorno dos sintomas�, comenta Voltareli.

Na �rea card�aca, as pesquisas tamb�m est�o avan�adas. O Hospital Pr�-Card�aco, no Rio de Janeiro, � um dos pioneiros no mundo em testes para tratamento da insufici�ncia card�aca. J� s�o 14 pacientes tratados
e a institui��o prepara um protocolo para ampliar o estudo. �A primeira fase provou que as c�lulas n�o oferecem risco. A segunda mostrar� em grande escala que a t�cnica funciona�, diz Hans Dohmann, diretor cient�fico dos estudos. O trabalho est� sendo feito em parceria com Emerson Perin, m�dico brasileiro do Texas Heart Institute (EUA), e com
a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). �Retiramos sangue da medula e separamos as c�lulas-tronco para injet�-las nas regi�es doentes do cora��o�, diz Perin.

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