terça-feira, 27 de janeiro de 2004

CÉLULAS-MÃE



27/01/2004 - 17h33
Após Suécia e Reino Unido, Espanha aposta nas células-mãe
da France Presse, em Granada (Espanha)

A pesquisa com células-mãe, esperança de milhões de pessoas afetadas pelo mal de Parkinson, Alzheimer ou diabetes, teve mais um avanço com a abertura em Granada (sul da Espanha) do terceiro banco de células-mãe, depois dos inaugurados na Suécia e Reino Unido, os únicos no mundo financiados pelo governo.

"Trabalhamos entre 14 e 18 horas diárias há três meses para fazer isso bem e vamos continuar o tanto que for necessário", afirma o professor Angel Concha, diretor do novo banco.

Criado e financiado pela região autônoma de Andaluzia com 765 mil euros, o banco de Granada funcionará em rede com seus similares de Londres e Estocolmo, depois que este último aceitou lhe fornecer gratuitamente um primeiro contingente de células-mãe.

A natureza polêmica do ponto de vista ético da matéria-prima explica a lentidão do desenvolvimento deste setor pioneiro na pesquisa médica: as células mais polivalentes se extraem de embriões humanos, a partir das quais "vamos fabricar componentes de corpos humanos", segundo uma expressão de um cientista de renome ligado ao projeto, Bernat Soria, especialista em diabetes.

A legislação espanhola em matéria de pesquisa sobre o embrião, apesar das fortes pressões dos católicos conservadores, está entre as mais permissivas da Europa, sem chegar ao nível do Reino Unido, primeiro país do mundo a ter autorizado a clonagem terapêutica. Ou seja, a criação de embriões só para pesquisa.

No entanto, o professor Concha apresentou suas novas instalações insistindo no precioso tempo que os trabalhos britânicos vão lhe permitir ganhar.

O banco de células-mãe da Reino Unido, lançado em setembro de 2002, não começou a funcionar. Entre outras razões porque os britânicos ainda estão terminando os minuciosos protocolos técnicos e éticos de pesquisa, explica o médico espanhol. "Vamos nos beneficiar disso porque também vamos utilizar esses protocolos", acrescentou.

Outra razão para o atraso: a criação de células-mãe embrionárias, isto é, a reprodução em um laboratório de uma família de células necessita no mínimo de um ano e os britânicos têm que começar a trabalhar sobre material "próprio".

A primeira célula embrionária humana foi criada em 1998 nos Estados Unidos, onde o presidente George W.Bush reduziu desde então drasticamente a concessão de fundos públicos para a pesquisa sobre células-mãe.

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