28/01/2004 - 11h20
Identificada nova perturbação neurológica depois dos 50 anos
da Agência Lusa
Pesquisadores norte-americanos identificaram novas perturbações neurológicas em homens com mais de 50 anos, ligadas a um defeito genético responsável por deficiência mental na infância. Em geral, as vítimas são afetadas por tremedeiras, problemas de equilíbrio e, em alguns casos, perda de memória.
Além disso, a capacidade motora e os sintomas cognitivos deterioram-se com a idade, afirmam os cientistas na edição de hoje do jornal da "American Medical Association".
"Essas perturbações aparecem tarde na vida desses homens, que tiveram geralmente boa saúde na infância e primeira parte da idade adulta, e são dotados de inteligência normal ou superior à normal", segundo Randi Hagerman, diretora do Instituto Davis M.I.N.D. da Universidade da Califórnia.
A condição pode ser diagnosticadas através de uma simples análise do sangue, mas como muitos dos sintomas são semelhantes aos dos doentes com Alzheimer ou senilidade, há muitas vezes erros de diagnóstico.
Ao procurarem uma relação entre as crianças com síndrome X- frágil --principal causa de atraso mental hereditário-- e os seus pais, os autores do estudo encontraram a pista que os levou à sua descoberta.
As premissas do estudo surgiram em testemunhos de mães de crianças com síndrome X-frágil que recordaram terem os seus próprios pais sido vítimas de quedas freqüentes, perdas de memória e problemas neurológicos.
Hagerman e o marido, Paul Hagerman, professor de biologia química na Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, examinaram 192 pessoas pertencentes a 89 famílias em que pelo menos um membro sofria de síndrome X-frágil. Eles descobriram que 30% dos homens portadores de uma mutação no gene causador da síndrome desenvolve as perturbações, que batizaram de FTXAS.
Os pesquisadores estimam que 1 a cada 3.000 pessoas está sujeita a estas perturbações, cujos sinais precoces incluem dificuldades em tarefas como escrever, usar colheres e garfos, verter líquidos para recipientes ou caminhar.
A identificação destas perturbações deverá permitir ao médicos proceder a ensaios clínicos e aperfeiçoar tratamentos mais adaptados aos pacientes, diz Paul Hagerman.
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