segunda-feira, 7 de junho de 2004

GENES DA LONGEVIDADE

INICIADA A MAIOR CAÇADA AOS GENES DA LONGEVIDADE

06/06/2004 - Especialistas de Europa, China e Israel buscam no DNA pistas para alcançar uma vida mais longa

BERLIM. Especialistas reunidos em Bolonha, na Itália, iniciaram na semana passada um dos mais ambiciosos projetos de genética dos últimos anos: a identificação de genes relacionados à longevidade. Segundo o diretor do projeto, o professor Stefan Schreiber, da Clínica Universitária de Kiel, o DNA de milhares de pessoas com mais de 95 anos será analisado. O estudo internacional abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças relacionadas à velhice, como os males de Alzheimer e Parkinson.

— Nós já sabemos que a genética exerce um papel importante na longevidade, de cerca de 25%. O restante é influenciado pelo estilo de vida e o meio ambiente — disse Schreiber em entrevista ao GLOBO.

Orçado em cerca de 8 milhões de euros, o projeto é financiado pela União Européia e conta com a participação de especialistas de 22 institutos de países europeus, de Israel e também da China. Em todos esses lugares, o material genético dos idosos será comparado ao de jovens para a identificação dos genes ligados à vida longa.

Os cientistas estão confiantes de que conseguirão decifrar aspectos genéticos da longevidade em, no máximo, dois anos, prazo estabelecido para o projeto. Eles acreditam que a longevidade tem raízes genéticas porque já constataram que pessoas longevas costumam ter parentes que vivem acima da média.

— Irmãos de pessoas centenárias têm tendência de se tornarem centenários; filhos de pessoas que morrem em idade avançada tendem ao mesmo — disse Almut Nebel, integrante da equipe de Kiel.

Mais de mil voluntários participam do estudo

O projeto não delimitou o número de participantes. Até agora, os cientistas já inscreveram mais de mil voluntários no estudo. Cada um deles doará uma pequena quantidade de sangue, do qual será retirado o DNA a ser analisado e comparado ao de pessoas mais jovens. Os cientistas esperam determinar quais e quantos são os genes relacionados à longevidade e também a seqüência em que aparecem.

Os cientistas explicaram que a identificação das variantes genéticas ligadas à vida longa não significa que estas poderão ser usadas em terapias gênicas. Seria possível, no entanto, desenvolver medicamentos contendo as mesmas proteínas produzidas por esses genes.

Para James Vaupel, diretor do Instituto Max Planck de Pesquisa Demográfica, a expectativa de vida da população continuará aumentando nos próximos anos, sobretudo com uma maior compreensão das doenças da velhice.
Fonte: Jornal O GLOBO.

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