sexta-feira, 11 de março de 2005

Estudo brasileiro pode ditar futuro de células-tronco

Brasil começa em três meses teste de células-tronco com 1.200 voluntários. Leia aqui => O Globo Online.
Continua faltando o Parkinson!

Biossegurança

A biossegurança é uma discussão recente, mas as polêmicas não. Este debate teve início na década de 70 mas foi na de 90, através da inclusão de temas como ética em pesquisa, meio ambiente, animais e processos envolvendo tecnologia de DNA recombinante, que a compreensão sobre biossegurança teve mudanças significativas. O que se pode afirmar é que a biossegurança é um conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção e desenvolvimento tecnológico.

No Brasil o debate está mais direcionado para os processos envolvendo organismos geneticamente modificados. Basta ver a Lei de Biossegurança aprovada nos últimos dias. Por tratar de 'risco', a biossegurança se assenta no tema da imprevisibilidade, além disso, envolve tanto os interesses socioeconômicos quanto convicções morais e religiosas. A questão de fundo não se reduz ao debate sobre os riscos das tecnologias como algo separado do seu uso cotidiano, mas se dá sobre as conseqüências da manutenção de relações socioeconômicas que excluem e privilegiam em demasia. Transgênicos em si não são um problema, o problema é o quanto o uso de tecnologias pode reproduzir padrões sociais antigos.

Outro ponto é a pesquisa em células-tronco embrionárias. A polêmica aqui se concentra na velha questão sobre vida e vida humana; questão essa que só encontra certeza em convicções morais e religiosas e, sendo assim, não cabe a estas convicções gerenciar as práticas sociais. Células-tronco não decorrem de fetos humanos, mas de poucas células fertilizadas - não seriam embriões, mas tecidos, uma vez que só teriam potencial se implantadas em um útero para se desenvolver. Se o critério da potencialidade passar a ser o parâmetro que irá gerenciar as práticas humanas, deve-se começar a pensar sobre a potencialidade de caos que poderá ser gerado pelas biopatentes e pela impossibilidade de se tratar doenças como Alzheimer e Parkinson. A aprovação do artigo que permite as pesquisas está de parabéns, porém, a lei e a biossegurança devem ser pensadas como um todo.

SAMANTHA BUGLIONE/ Doutoranda em Ciências Humanas na UFSC e professora na Univali
Fonte: Diário Catarinense.

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