quinta-feira, 10 de março de 2005

Transplante de células-tronco é feito pelo SUS em Porto Alegre
Procedimento foi realizado ontem em um homem de 54 anos. Um homem de 54 anos se tornou ontem o primeiro paciente do SUS no Estado a passar por um transplante de células-tronco por meio de cateterismo cardíaco. O procedimento foi realizado no Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (IC), que havia usado a técnica pela primeira vez no final do ano passado.

O paciente, com dores no peito e falta de ar, não havia respondido ao tratamento com remédios para diminuir a isquemia (insuficiência de irrigação sangüínea). Como ele tinha muitas artérias comprometidas, o problema não poderia ser resolvido com uma angioplastia ou uma ponte de safena.

Segundo o cardiologista Rogério Sarmento-Leite, que coordenou o procedimento, o transplante de células-tronco surgiu como uma possibilidade quando o homem estava prestes a entrar na fila por um coração novo.

- O transplante só deve ser feito em situações de absoluta exceção, em que o paciente não responde às práticas terapêuticas e cirúrgicas convencionais - ressalta ele.

A expectativa é de que as células-tronco adultas retiradas da medula óssea do paciente e injetadas na região danificada criem uma nova rede de vasos sangüíneos.

No paciente pioneiro no procedimento, diz o cardiologista, os sintomas amenizaram.

- Ainda não conhecemos os resultados, mas é um tratamento promissor - diz Sarmento-Leite.

Como foi
- Pela manhã, foram retiradas, de um osso do quadril do paciente, quatro seringas de 20 ml cada com material da medula óssea. O procedimento foi realizado pelo hematologista Flavo Beno Fernandes. Durou cerca de 20 minutos e exigiu anestesia local e sedação do paciente.

- O paciente foi levado para a sala de recuperação, e as quatro seringas com o material coletado, para o Laboratório de Imunogenética da UFRGS.

- No laboratório, com a ajuda de uma centrífuga, a bióloga Nance Nardi separou as células mononucleares (com um único núcleo) das células vermelhas e dos granulócitos. Após coletadas, as células mononucleares - nas quais são encontradas as células-tronco - foram lavadas e, em seguida, contadas no microscópio.

- Cerca de duas horas após o procedimento da manhã, foram injetados 10 ml de material contendo cerca de 100 milhões de células-tronco no paciente. O reimplante foi feito com uma seringa e por meio de um cateter que entrou pela virilha, subiu pela aorta e foi ao coração, onde foi identificada a artéria coronária descendente anterior. O procedimento durou cerca de 40 minutos e exigiu anestesia local e sedação do paciente.

- A expectativa é de que as células-tronco adultas retiradas da medula óssea do paciente e injetadas na região danificada criem uma nova rede de vasos sangüíneos.

Fonte: Zero Hora.

Sardinhas, ovos e galinhas
(...) Investigadores que trabalham com células-tronco adultas (extraídas principalmente da medula óssea e de cordões umbilicais), talvez imbuídos de algum espírito religioso, tentaram explicar que as células embrionárias não são a única alternativa, que terapias baseadas em tecidos adultos estão mais próximas. Acusaram _a meu ver com exagero_ um suposto lobby da indústria farmacêutica internacional, que estaria interessada em lançar o foco sobre as células embrionárias e tirá-lo do das adultas, de modo a retardar novos tratamentos e, assim, garantir maior sobrevida aos remédios hoje utilizados.

(...) É verdade que as células-tronco embrionárias abrem novas e promissoras perspectivas. Esse tipo de tecido conserva a capacidade para converter-se em toda espécie de célula, de neurônios a melanócitos, o que não ocorre com células-tronco maduras (as tiradas da medula óssea e de cordões umbilicais). Tamanha versatilidade, porém, traz problemas. Em modelos animais, descobriu-se que células embrionárias são tão indiferenciadas que podem provocar o surgimento de cânceres. Estão provavelmente certos os pesquisadores que afirmam que as primeiras novas terapias virão das células-tronco adultas, com as quais já estão em curso interessantes tratamentos experimentais para várias cardiopatias, diabetes e mal de Parkinson. Podemos aguardar aplicações comerciais para dentro de mais alguns pares de anos.

Hélio Schwartsman. Fonte: Folha de São Paulo.

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