O paciente, com dores no peito e falta de ar, não havia respondido ao tratamento com remédios para diminuir a isquemia (insuficiência de irrigação sangüínea). Como ele tinha muitas artérias comprometidas, o problema não poderia ser resolvido com uma angioplastia ou uma ponte de safena.
Segundo o cardiologista Rogério Sarmento-Leite, que coordenou o procedimento, o transplante de células-tronco surgiu como uma possibilidade quando o homem estava prestes a entrar na fila por um coração novo.
- O transplante só deve ser feito em situações de absoluta exceção, em que o paciente não responde às práticas terapêuticas e cirúrgicas convencionais - ressalta ele.
A expectativa é de que as células-tronco adultas retiradas da medula óssea do paciente e injetadas na região danificada criem uma nova rede de vasos sangüíneos.
No paciente pioneiro no procedimento, diz o cardiologista, os sintomas amenizaram.
- Ainda não conhecemos os resultados, mas é um tratamento promissor - diz Sarmento-Leite.
Como foi
- Pela manhã, foram retiradas, de um osso do quadril do paciente, quatro seringas de 20 ml cada com material da medula óssea. O procedimento foi realizado pelo hematologista Flavo Beno Fernandes. Durou cerca de 20 minutos e exigiu anestesia local e sedação do paciente.
- O paciente foi levado para a sala de recuperação, e as quatro seringas com o material coletado, para o Laboratório de Imunogenética da UFRGS.
- No laboratório, com a ajuda de uma centrífuga, a bióloga Nance Nardi separou as células mononucleares (com um único núcleo) das células vermelhas e dos granulócitos. Após coletadas, as células mononucleares - nas quais são encontradas as células-tronco - foram lavadas e, em seguida, contadas no microscópio.
- Cerca de duas horas após o procedimento da manhã, foram injetados 10 ml de material contendo cerca de 100 milhões de células-tronco no paciente. O reimplante foi feito com uma seringa e por meio de um cateter que entrou pela virilha, subiu pela aorta e foi ao coração, onde foi identificada a artéria coronária descendente anterior. O procedimento durou cerca de 40 minutos e exigiu anestesia local e sedação do paciente.
- A expectativa é de que as células-tronco adultas retiradas da medula óssea do paciente e injetadas na região danificada criem uma nova rede de vasos sangüíneos.
Fonte: Zero Hora.
(...) É verdade que as células-tronco embrionárias abrem novas e promissoras perspectivas. Esse tipo de tecido conserva a capacidade para converter-se em toda espécie de célula, de neurônios a melanócitos, o que não ocorre com células-tronco maduras (as tiradas da medula óssea e de cordões umbilicais). Tamanha versatilidade, porém, traz problemas. Em modelos animais, descobriu-se que células embrionárias são tão indiferenciadas que podem provocar o surgimento de cânceres. Estão provavelmente certos os pesquisadores que afirmam que as primeiras novas terapias virão das células-tronco adultas, com as quais já estão em curso interessantes tratamentos experimentais para várias cardiopatias, diabetes e mal de Parkinson. Podemos aguardar aplicações comerciais para dentro de mais alguns pares de anos.
Hélio Schwartsman. Fonte: Folha de São Paulo.
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