Célula-tronco adulta age como embrionária
(...) As células-tronco têm a capacidade virtual de formar diversos tecidos do corpo e, por esse motivo, são encaradas atualmente como uma esperança na criação de terapias para doenças degenerativas como mal de Parkinson e diabete. (...) Leia na íntegra aqui => Estadão.
(...) As células-tronco têm a capacidade virtual de formar diversos tecidos do corpo e, por esse motivo, são encaradas atualmente como uma esperança na criação de terapias para doenças degenerativas como mal de Parkinson e diabete. (...) Leia na íntegra aqui => Estadão.
Entrevista com Oliver Sacks 08/05/2005
O SENHOR PREVÊ PARA BREVE A CURA DOS MALES DE PARKINSON E ALZHEIMER?
OLIVER SACKS: As possibilidades de prevenir ou tratar Parkinson estão mais próximas do que Alzheimer. Parkinson é mais simples porque afeta só células do mesmo tipo no cérebro. Por isso, estamos muito mais avançados para entender e tratar. Em quatro ou cinco anos poderemos prevenir o aparecimento dessa doença. Alzheimer é mais complicado, porque afeta diferentes tipos de células e não sabemos se tem uma ou muitas causas. Existe uma forma rara de Alzheimer que acomete pessoas muito jovens: eu tenho uma paciente de 29 anos e, no caso dela, a terapia genética funcionaria porque só um gene está errado. Na maioria dos casos, é mais complexo.
O senhor tem muitos pacientes com Alzheimer?
SACKS: Muitos. Eu ainda trabalho no Hospital Beth Abraham e lá existem 500 pacientes com doenças cerebrais. Um quinto ou um sexto da população tem uma demência do tipo Alzheimer. Pelo menos, essa é a minha impressão. Mas isso só pode ser provado por uma biópsia do cérebro ou depois da morte.
O senhor sempre defende a tese de que as pessoas podem ficar bem mesmo com doenças incuráveis. Isso é possível com Alzheimer?
SACKS: Muita coisa pode ser feita para tornar melhor a vida dos pacientes. Num livro chamado “Perdendo a minha cabeça”, um cientista fez um fabuloso relato da sua vida ao perceber que estava doente. Terminou dizendo que o tempo de não poder se comunicar mais havia chegado. Eu talvez escreva um livro sobre o envelhecimento, que incluirá uma discussão sobre isso, o bom e o mau envelhecimento. Não devemos pensar que Alzheimer é um inevitável complemento da idade. Um grande biólogo deste século morreu aos cem anos, logo depois de publicar um livro no seu centésimo aniversário. Ou seja, as pessoas podem estar ótimas aos cem ou destruídas aos 65. Há dúvida se o mal de Alzheimer é uma doença ou uma forma patológica de envelhecimento precoce do sistema nervoso.
Há prevenção para o mal de Alzheimer?
SACKS: Não sabemos. Há remédios e vitaminas. Parece que pessoas mais ativas têm menos chances de ficarem dementes. Muitas pessoas tendem a ficar dementes quando se aposentam ou quando o parceiro morre. Às vezes, a doença aparece quando existe uma mudança de uma situação familiar para uma situação não-familiar.
O senhor está dizendo que existe um componente emocional?
SACKS: Não diria só emocional. Mas há situações que quebram um sistema de apoio para qualquer um de nós. Quando o marido esquece alguma coisa, a mulher lembra, ou os dois lembram as coisas juntos. Eu acho que o isolamento para pessoas idosas pode ser perigoso. Existe um famoso estudo feito com freiras. Elas foram divididas em dois grupos, o primeiro era de freiras que tinham alto nível de educação e eram muito inteligentes. No segundo, as freiras tinham menos escolaridade e eram menos inteligentes. A incidência maior de Alzheimer foi entre as menos dotadas intelectualmente. O que isso quer dizer? Provavelmente, que as mais inteligentes e com uma cultura maior tinham mais reservas no cérebro, que levaram mais tempo para serem gastas e isso fez com que a doença demorasse mais para aparecer.
A perda de memória é inevitável?
SACKS: A perda de algum tipo de memória é. A memória das crianças tende a ser muito ativa e vívida e isso diminui com a idade. Mas um outro tipo de memória melhora. O filósofo Kierkegaard falou sobre isso, chamou de lembrança a memória imediata; fotográfica e de reminiscência a memória de coisas antigas. E disse que idosos têm reminiscência e os jovens, lembranças. Eu me lembro de ter feito uma descrição de um jantar que deixou a dona da casa muito aborrecida, quando eu tinha 27 ou 28 anos: ela me perguntou se eu era um ser humano ou um gravador. Este tipo de memória eu perdi a partir dos 32 anos ou algo assim. Ao mesmo tempo, a capacidade de juntar várias informações cresceu. Nomes próprios são a primeira coisa a saírem da memória, mas a perda da memória pode não ir muito além disso e não afetar muito a nossa vida. A gente começa a armazenar uma memória eletrônica ou de papel: passa a ter agenda, calendário, caderno de telefone.
Há remédio para a memória funcionar melhor?
SACKS: Esse é um assunto quente e existem muitas pesquisas sobre drogas que ajudam a manter a memória e uma vida intelectual ativa, mas não conheço nenhuma confiável.
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