18/12/2005 - Diretor do Centro Nacional de Ressonância Magnética Nuclear e pesquisador do Laboratório de Termodinâmica de Proteínas e Vírus da UFRJ, Jerson Lima Silva é um especialista na dança das proteínas. Mais especificamente, na forma que elas adquirem, determinante, em última instância, de suas funções. O trabalho de vanguarda, que levou a avanços na compreensão dos dobramentos das proteínas, rendeu a Lima o prêmio internacional de biologia deste ano concedido pela Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (TWAS, na sigla em inglês). O pesquisador se volta agora para a maior compreensão da estrutura do vírus da gripe — que ameaça o mundo com uma nova pandemia — e o desenvolvimento de uma vacina.
Qual é a importância de se estudar o formato das proteínas? Somente o seqüenciamento genético não bastaria para entender seu funcionamento?Jerson Lima Silva: Nos últimos cinco anos, diversas doenças foram relacionadas a falhas no dobramento proteico. A seqüência da proteína é como um macarrão esticado: a forma que adquire ao se dobrar vai determinar sua função. Claro que essa forma é, em última instância, determinada pelo código genético, mas é importante conhecê-la. No caso do HIV, por exemplo, determinar o formato de uma de suas proteínas foi fundamental para o desenvolvimento de uma droga que a inibisse. O remédio só funcionou quando “encaixou” corretamente na proteína alvo.
Que doenças estão ligadas a falhas no dobramento proteico?
Silva: São mais de 50 doenças. Em alguns casos, as falhas no dobramento estão relacionadas a ganho de função, como no mal de Parkinson, em que uma proteína (a alfa-sinucleína) se torna tóxica e começa a matar neurônios da região motora do cérebro. No mal de Alzheimer, uma outra proteína começa a formar agregados (adotar formas diferentes), tornando-se também tóxica aos neurônios. Outros casos estão ligados à perda de função, como o da proteína P53, que atua protegendo as células do câncer. Determinadas falhas em seu dobramento fazem com que ela perca essa função: 50% dos pacientes de câncer apresentam mutações nessa proteína.
O mal da vaca louca é uma dessas doenças?
Silva: Sim. Por algum motivo que ninguém ainda sabe explicar, a proteína do príon celular (ou PRPC) adota uma conformação diferente, gera agregados e causa a morte de células do cérebro. A diferença desta doença para os males de Parkinson e Alzheimer, por exemplo, é que ela também é transmissível. A teoria mais aceita é que a proteína modificada, ao interagir com a proteína saudável, induz a propagação do defeito.
O estudo das formas das proteínas é importante para o desenvolvimento de novas drogas?
Silva: Claro. Ao entendermos a fisiopatologia de uma doença causada por um dobramento proteico errôneo pode-se desenvolver um composto que, por exemplo, impeça a formação de agregados. Que restaure a forma original da proteína ou ainda que impeça o erro no dobramento.
Como estão os estudos para uma vacina contra a gripe, sobretudo num momento em que o vírus H5N1 se dissemina e preocupa autoridades?
Silva: Os vírus são ácidos nucleicos envoltos por proteínas. Em nossos estudos, estamos usando a alta pressão para modificar essas proteínas. Isso inativaria o vírus, mas, ao mesmo tempo, manteria a sua forma, o que faria com que fosse reconhecido pelo sistema imunológico, gerando proteção. É diferente do método que usa alta temperatura, que inativa o vírus, mas não mantém suas características imunogênicas porque o calor interfere em sua forma. Já sabemos que funciona bem em diversas cepas, tanto humanas quanto aviárias, do vírus influenza. Mas não testamos ainda no H5N1. Este é o nosso próximo passo. Já temos um projeto com a Embrapa apoiado pela Finep e Faperj para conduzir esses estudos.
Jornal: O GLOBO; Editoria: Revista O Globo; Edição: 1; Página: 68
Seul restringe entrada em laboratório de clonagem de embriões
19 / 12 / 2005 - SEUL - A Universidade Nacional de Seul anunciou hoje que a restrição à entrada nos laboratórios usados por Hwang Woo-suk, iniciada este fim de semana, será mantida até que se esclareçam as dúvidas sobre a questionada clonagem de embriões humanos feita pelo cientista.
Segundo a agência local Yonhap, o primeiro centro docente da Coréia do Sul iniciou uma investigação sobre um estudo de Hwang publicado este ano na revista Science. (segue...)
Fonte: Jornal do Brasil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observamos que muitos comentários são postados e não exibidos. Certifique-se que seu comentário foi postado com a alteração da expressão "Nenhum comentário" no rodapé. Antes de reenviar faça um refresh. Se ainda não postado (alterado o n.o), use o quadro MENSAGENS da coluna da direita. Grato.