sábado, 14 de junho de 2008

Britânicos fazem viagens de turismo para passar por transplantes
13/06/2008 - Objetivo é escapar das longas listas de espera por um órgão. Pacientes compram rins no Paquistão e fazem a cirurgia no país.

Cidadãos britânicos estão viajando para se submeterem a transplantes de rins. Essa é forma de escapar das longas listas de espera por um órgão.

Tratamentos de saúde em outros países, muitas vezes associados à viagens de lazer são cada vez mais comuns. Já está consagrada a expressão "turismo de saúde". Cirurgias plásticas no Brasil, check-ups em hospitais norte-americanos fazem parte do portfólio de empresas que atuam nesse mercado.

Na edição de 14 de junho, da revista The British Medical Journal é discutido em três artigos um lado sombrio dessa atividade. A compra de órgãos e seu transplante em regiões pobres da Ásia, notadamente no Paquistão e Índia.

Em 2003, o governo paquistanês iniciou uma investigação para expor uma operação criminosa em uma vila do interior. Quatorze pessoas haviam morrido após terem um de seus rins retirado, para transplante, em troca de compensações financeiras.

Um transplante desses pode custar mais de US$ 80 mil, mas o doador/vendedor fica com uma ínfima parte.O restante é dividido por médicos, agenciadores da compra e venda dos órgãos e mesmo autoridades locais.

O sistema de saúde inglês restringe o transplante renal entre pacientes vivos somente aos membros de uma mesma família. Quando isso não é possível deve-se esperar por um órgão de um doador após a morte. O controle da lista de espera é feito pelo Sistema de Saúde do governo.

Não existem estatísticas sobre o assunto, até por que a venda de órgãos é crime na maior parte do mundo. As cirurgias são realizadas em hospitais sem condições técnicas e que não mantém registros dos procedimentos.

Os pacientes retornam rapidamente ao país de origem, sem receberem os cuidados pós-operatórios ideais. Ao chegar descobrem que trocaram a insuficiência renal por uma infecção crônica por hepatite B ou C, Citomegalovírus e ate mesmo HIV.

A taxa de insucesso chega a 30% dos casos, contra 10% nos transplantes realizados no Reino Unido. Além disso o custo do tratamento após a cirurgia é assumido pelo sistema de saúde.

A Associação Médica Britânica está pedindo que o governo da Inglaterra pressione o governo paquistanês para tentar controlar esse processo.

Ao mesmo tempo tenta trazer ao público inglês a discussão sobre os processo de doação e transplante no país. Esperam que assim se possa agilizar o andamento da fila de espera. Fonte: G1.

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