Pesquisadores encontraram grande proporção de evidências não informadas em ensaios com medicamentos
Em uma série de estudos para a revista sobre a extensão na qual se fazem públicos os dados dos ensaios, os pesquisadores encontraram que uma grande proporção de evidência não é informada e que muito do que é divulgado pelas empresas farmacêuticas é inadequado.
"A informação faltante é um problema sério na investigação clínica", dizem os autores. "Isso distorce o registro científico, pelo que as decisões clínicas não podem ser baseadas na melhor evidência", acrescentam.
As novas normas estabelecidas em 2007 pelo FDA, órgão que regula alimentos e remédios nos Estados Unidos, obrigou a publicar os resumos dos resultados dos testes clínicos no endereço ClinicalTrials.gov, dentro de 12 meses, para todos os estudos iniciados o em andamento.
Em 2008, a entidade que congrega a indústria farmacológica global, a Federação Internacional de Fabricantes e Associações Farmacêuticas, também pediu a seus membros - que incluem os principais laboratórios do mundo - que registrem todos os testes com pacientes e que publiquem resumos dos resultados.
Mas nos estudos avaliados pelo BMJ os autores descreveram o resultado como uma "cultura de publicação ao acaso e emissão incompleta de informação". "A situação atual é prejudicial aos participantes da investigação, aos pacientes, aos sistemas de saúde e a todo o esforço da medicina clínica", dizem eles.
O BMJ vem fazendo uma campanha há algum tempo por mais transparência nos ensaios clínicos e atacou a indústria farmacêutica por ser reticente e demorar em publicar os dados de testes com pessoas sobre remédios em estado avançado de desenvolvimento, e de estudos sobre fármacos já aprovados e disponíveis no mercado.
As empresas farmacêuticas, por sua vez, têm publicado mais informação sobre os testes que patrocinam, mas isso às vezes é feito em sites menos conhecidos da internet, em vez de em revistas médicas de alto perfil, e os críticos assinalam que a indústria ainda está longe de ser transparente. (...)
Geralmente é impactante para os médicos, e certamente para o público, saber que isso está longe de ser o que ocorre", disseram os autores.
Quando a palavra "obrigatório" termina obrigando tão pouco, fica clara a necessidade de mecanismos mais fortes" acrescentam.
Os autores advertem que os pacientes terão que "viver com as consequências dessas falhas por muitos anos" e instaram a uma regulação mais forte e um acesso completo aos dados crus dos ensaios que permita melhor compreensão no futuro dos benefícios e danos de muitos tipos de fármacos. Fonte: O Estado de S.Paulo.
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