quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sinemet em falta

Doentes com Parkinson denunciam “ruptura total” de medicamento

22.05.2012 - 18:42 Por Andrea Cunha Freitas
Há três meses que os doentes se queixam da falta do medicamentoHá três meses que os doentes se queixam da falta do medicamento (Foto: Daniel Rocha)
 Uma semana depois do alerta sobre a escassez do fármaco para Parkinson e da garantia do Infarmed sobre a regularização da situação, a associação que representa estes doentes refere que “agora, o medicamento está mesmo esgotado”.
“Há uma semana era difícil encontrar o Sinemet agora é impossível. Estamos perante uma ruptura total e não há mesmo este medicamento disponível nas farmácias. Dizem-nos que os distribuidores também não o têm”, denuncia José Luis Mota Vieira, presidente da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDP).

A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) disse ao PÚBLICO que, contactado o laboratório responsável por este fármaco, recebeu a informação de que a reposição no mercado foi iniciada na semana passada não existindo, assim, nenhuma comunicação oficial sobre uma “ruptura de stock”.

O responsável da APDP garante que não é possível comprar o Sinemet na dosagem de 25/100 nas farmácias portuguesas. Segundo explica esta situação afecta apenas a dosagem mais baixa (de 25/100) e está a fazer com que os doentes sejam forçados a ir a Espanha para comprar este fármaco.

José Luis Mota Vieira lembra que este medicamento, sem alternativa no mercado, “é o mais antigo, um dos mais eficazes e o mais prescrito” e insiste que esta situação será resultado da exportação deste fármaco para outros países. “O Sinemet tem um preço baixo em Portugal e é preferível vendê-lo em países onde é mais caro. Não conseguimos encontrar outra razão senão a exportação para explicar que o medicamento esteja esgotado em Portugal e não esteja noutros países como, por exemplo, Espanha”, nota. A exportação de medicamentos só é considerada ilegal quando coloca em causa o mercado nacional.

O presidente da APDP admite que vai, mais uma vez, “enviar mensagens ao Ministério da Saúde e à Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) para denunciar a ruptura destock”. No entanto, alerta: “Esta situação arrasta-se há já três meses. Já fomos recebidos pelo ministério três vezes. Todas as semanas nos dizem que na próxima semana deverá estar resolvido”. Cansado, José Luis Mota Vieira reclama que “este caso seja analisado com muita profundidade e que sejam tomadas definitivamente medidas de fundo que evitem este tipo de situação”.

Há uma semana, após o alerta feito por doentes e médicos sobre a escassez do Sinemet, o Infarmed revelou ao PÚBLICO que estava a “acompanhar a situação, tendo a informação do titular de autorização do mercado do referido medicamento de que a situação estará regularizada na próxima semana”. “O Infarmed mantém uma vigilância activa de modo a garantir a acessibilidade dos utentes aos medicamentos de que necessitam e actuará em conformidade sempre que essa acessibilidade for posta em causa”, acrescentava ainda a nota enviada.

O PÚBLICO tentou contactar o laboratório titular da autorização de introdução no mercado doSinemet mas, até ao momento, não foi possível obter nenhum esclarecimento. Esta terça-feira, a empresa assegurou ao Infarmed que a reposição deste medicamento no mercado foi iniciada na semana passada. Uma demora no processo de distribuição poderá, eventualmente, explicar o atraso na disponibilização do Sinemet nas farmácias. Fonte: Público.pt

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