por PATRÍCIA KOGUT
26/11/2013 - Metalinguagem e humor autodepreciativo são insuficientes para explicar o que acontece em “The Michael J. Fox show” (no ar aqui no Comedy Central e disponível na AppleTV). Além de avançar sem pudor nessas duas searas, a sitcom vai bem mais longe. Emociona e diverte. Na série, o ator é Mike Henry, um ex-âncora da WNBC que se aposentou por causa do mal de Parkinson — mesma doença de que sofre o ator na vida real.
O personagem tomou a decisão depois que a cadeira de rodinhas onde estava sentado escorregou e saiu do ângulo da câmera enquanto ele apresentava o telejornal. Por causa da doença, ele não conseguiu controlar a situação. A ação começa cinco anos após esse episódio, com Henry dedicado a cuidar da casa, da mulher, dos três filhos e de uma irmã meio encostada. A mulher trabalha, os filhos cresceram e ninguém mais aguenta tanta energia represada no ambiente doméstico. A simples reposição de uma máquina de lavar louça quebrada vira um acontecimento de grandes proporções para ele. Reunir a família à mesa se torna uma causa. E por aí vai.
Por isso, sua mulher, Betsy Brandt (a Marie de “Breaking bad”), arma um encontro “acidental” entre Henry e o ex-chefe e este o convida a voltar à emissora. Depois de relutar, o jornalista aceita. Querido pelo público e pelos colegas, é recebido com festa no antigo posto. A família respira aliviada.
As referências biográficas são os pontos altos da série. As limitações do ator estão expostas sem reservas. Uma das sequências é especialmente deliciosa: ele estende um prato para o filho, com a mão trêmula. A voltagem é dramática até que a mulher interrompe a cena dizendo: “Já chega desse show de superação!”. A graça praticada no programa, apesar de representar uma “piada autorizada”, dá uma espetada no politicamente correto e faz lembrar que o humor não deve ficar restrito a limites moralizantes. Tem, isso sim, a obrigação de divertir.
Aos olhos do público brasileiro, a série ganha mais um ponto de interesse. Ela ressalta a característica americana do estímulo à autonomia e o valor do trabalho. O herói aqui sofre com o Parkinson, mas não é enxergado com pena por todos os outros personagens. E, quando isso acontece, ele rejeita a piedade. Ou seja: falta ali aquela dose de compaixão que a nossa cultura do coitadismo provocaria. Isso causa estranheza, o que é curioso. Um bom exemplo é quando a filha, para se dar bem na escola, faz um vídeo lacrimoso com uma colagem de cenas cotidianas de Henry. O professor percebe o truque e a reprova.
O programa segue apoiado naquelas tiradinhas engraçadas que movem as sitcoms. Se não é fã do gênero, melhor nem conferir. Mas, do contrário, “The Michael J. Fox show” merece, sim, a sua atenção. É uma produção muito espirituosa e tem ótimo elenco. Fonte: Globo G1.
Este Blog, criado em set/2001, é dedicado às Pessoas com Parkinson (PcP's), seus familiares, bem como aos profissionais da saúde que vivenciam a situação de stress que acompanha a doença. A idéia é oferecer aos participantes um meio de atualizar e de trocar informações sobre a doença de Parkinson e encorajar as PcP's a expressar sentimentos no pressuposto de que o grupo infunde esperança, altruísmo e o aumento da auto-estima. E um alerta: Parkinson não é exclusividade de idosos!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observamos que muitos comentários são postados e não exibidos. Certifique-se que seu comentário foi postado com a alteração da expressão "Nenhum comentário" no rodapé. Antes de reenviar faça um refresh. Se ainda não postado (alterado o n.o), use o quadro MENSAGENS da coluna da direita. Grato.