Primeiro estudo epidemiológico feito no país revela uma prevalência da doença "abaixo das expectativas iniciais". Especialistas receiam que resultados estejam "camuflados" pela falta de apoio às famílias.
Quarta feira, 26 de março de 2014 - A doença de Parkinson é a segunda patologia degenerativa do sistema nervoso central mais comum no mundo e em Portugal atinge 13 mil pessoas, a maioria homens com mais de 65 anos.
O número, identificado pelo primeiro estudo epidemiológico para determinar a prevalência da doença entre a população portuguesa, está abaixo das estimativas iniciais. Os especialistas admitem que o resultado pode esconder outros problemas, como a falta de apoio aos cuidadores destes doentes.
Nas conclusões do documento - a apresentar no próximo sábado no Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa das Doenças do Movimento - , os autores justificam os "resultados obtidos abaixo das expectativas iniciais" com o "facto de o estudo apenas incluir uma abordagem domiciliária". Ou seja, deixando de fora "a visita a lares e outras instituições residenciais ou hospitalares", o que "pode ter sido um condicionante para a determinação desta estimativa", admitem.
Por outras palavras, o estudo terá "passado ao lado" de um número significativo de doentes que já não vivem com a família. "A confirmar-se, revela que os doentes portugueses estão a ser institucionalizados mais cedo do que se previa e ainda tendo algum grau de autonomia", afirma Joaquim Ferreira, coordenador científico do estudo - promovido pela Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, com o apoio da Direção-Geral da Saúde.
Para o neurologista, a falta de apoios pode ser a explicação. "As famílias não têm o apoio mínimo para manter o doente mais tempo em casa e optam pela institucionalização, que só faz sentido quando no seio familiar não há condições ou o doente já não tem autonomia", afirma o especialista.
Entre o que pode fazer falta aos cuidadores, Joaquim Ferreira destaca "a própria estrutura familiar, o apoio do Estado a nível social, de cuidados em casa ou até o conhecimento de esquemas de tratamento que permitem que o doente não perca toda a autonomia".
O neurologista não tem dúvidas: "Há vários protagonistas que podiam fazer melhor", evitando, por exemplo, a institucionalização precoce como o estudo parecer demonstrar.
Portugueses têm mutação genética
A avaliação permite ainda perceber que entre os portugueses há uma mutação genética que é a causa mais frequente de Parkinson, contudo sem efeito aparente com um maior número de doentes.
"A mutação no gene LRRK2-G2019S é a causa genética mais frequente de doença de Parkinson e Portugal é um dos países com maior prevalência da mutação", lê-se no documento.
Joaquim Ferreira explica que a herança é um legado da longa presença dos árabes na Península Ibérica e que, segundo este estudo, não parece aumentar a prevalência. É, ainda assim, um dado muito relevante para o futuro.
"Poderemos saber quais são os filhos destes doentes que estão em risco de ter a doença nos 20 anos seguintes e incluí-los nas investigações de medicamentos, que deverão permitir atrasar o aparecimento da doença quando ela ainda não existe", conclui. Fonte: Expresso.pt.
Considerando-se a taxa do Brasil, onde estima-se 400 mil, e considerando a maior longevidade em Portugal, seriam mais de 20 mil.
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